2000 e 2010 no DN: O mesmo jornal, dois cenários “culturais” diferentes

Em 2009, o Grupo Controlinveste anunciou o despedimento de 122 funcionários, incluindo 22 jornalistas do Diário de Notícias. A justificativa dada foi “a evolução acentuadamente negativa do mercado dos media, em particular na área da imprensa tradicional, e a profunda quebra de receitas do sector”.

Era expectável que o despedimento desses jornalistas pudesse ter alguma consequência na autoria das peças mas, na verdade, quase todos os textos daquele jornal incluídos na base de dados eram assinadas,  havendo, inclusive, um ligeiro aumento: em 2000,  a assinatura esteve presente em 94% das vezes; em 2010, em 99% das vezes.

No ano 2010, a grande maioria dos autores eram jornalistas de Cultura (75%), um aumento significativo em relação ao ano 2000 (55%). O que diminuiu foi o número de colaboradores da secção de Cultura que tiveram seus trabalhos divulgados na primeira página, passando de 16 referências em 2000, para apenas 2 em 2010.

Estudar os géneros jornalísticos é uma boa maneira de compreender como a imprensa especializada se organiza. Assim, em 2010, a notícia e a reportagem sobressaíram em relação aos géneros opinativos como a crónica e os comentários.

No entanto, uma diferença encontrada relaciona-se com o género da entrevista que, em 2000, foi o tipo de texto mais utilizado (28%), sendo que em 2010 correspondeu a 15% das referências.

Relativamente ao tamanho das peças, verificamos que, em 2000, a entrevista foi o género jornalístico que ocupou mais espaço enquanto em 2010 foi a reportagem o género jornalístico que mais se destacou nesse quesito.

Raros são os artigos de opinião, editoriais, ensaios e as crónicas com menos de 6% das referências ou ainda os géneros jornalísticos que não possuíram nenhuma alusão, tanto em 2000 como em 2010, como é o caso dos inquéritos, depoimentos e comentários.

Com relação a origem da informação, observamos um aumento de 33% para 42% de peças jornalísticas sem qualquer indicação de fontes de informações. Uma das explicações para essa constatação poderia ser a maior utilização de agências de notícias ou informações retiradas da internet como fontes primárias.

 

DN

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