Cultura raramente é manchete

Seria injusto dizer que os jornais portugueses não publicam notícias de cultura na primeira página. Mas constatamos que, mesmo quando está presente, a cultura raramente constitui o tema da manchete. Em 2010, apenas 13,6% das notícias culturais abordadas na primeira página das publicações analisadas foi manchete.

A maioria dos temas culturais merecem “apenas” uma chamada de primeira página (em 50,1%) dos casos. Os suplementos contribuem fortemente para a visibilidade da cultura na primeira página, pois em 35,7% dos casos, esta está presente através da remissão para um dos temas desenvolvidos no respectivo suplemento.

O Público foi o jornal que mais manchetes publicou sobre cultura, num total de 39 durante todo o ano de 2010, seguindo-se o Diário de Notícias (30), o Jornal de Notícias (12) e o Correio da Manhã (5%).

A imprensa semanal incluída neste estudo – Expresso e Visão – tornaram-se “anti-cultura” na capa, tendo publicado, cada um, apenas uma única manchete em todas as edições de 2010.

A cultura raramente é manchete

Estes números confirmam uma tendência de descida do número de manchetes e chamadas de primeira para a cultura, relativamente a 2000. Com excepção do Público, que até subiu ligeiramente o número total de manchetes centradas em temas culturais (de 30 para 39), todos os restantes jornais seguiram a tendência inversa.

Alguns títulos, como o Diário de Notícias e o Jornal de Notícias, reduziram significativamente o número de chamadas de primeira página dedicadas ao campo cultural: no caso do DN, em 2000 foram 136 e passaram para 102 em 2010; no JN, o número baixou de 107 para 76 chamadas na primeira página.

No caso das publicações semanais, o decorrer da década foi consolidando uma política de (quase) recusa da cultura na primeira página – em 2000 o Expresso publicou 6 manchetes e 25 chamadas de primeira sobre cultura, números que baixaram, em 2010, respectivamente, para 1 manchete e 2 chamadas; a Visão passou de 2 manchetes e 11 chamadas em 2000 para zero manchetes e 17 chamadas de capa em 2010.

De certa forma, foi como se nestes jornais se tivesse perdido o hábito, que até aí existia entre os responsáveis pela feitura da primeira página (directores e directores adjuntos), se preocuparem com a seguinte pergunta: “Há alguma coisa interessante de cultura para a primeira?

 

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