Apresentação

A Cultura na Primeira Página – um estudo dos jornais portugueses na primeira década do século XXI (2000-2010) é um projecto de investigação na área das ciências da comunicação que recebeu financiamento (€47.784) da Fundação para a Ciência e Tecnologia no Concurso de Projectos de Investigação Científica e Desenvolvimento Tecnológico em todos os Domínios Científicos, em 2010 (PTDC/CCI-COM/122309/2010).

É desenvolvido no CIMJ (Centro de Investigação Media e Jornalismo), coordenado por Carla Baptista; integra uma equipa de 7 investigadoras, oriundas de várias instituições (FCSH; ESCS, Universidade Lusófona), incluindo uma bolseira.

 Descrição

As notícias são o elemento vital da democracia e os conteúdos jornalísticos são vistos como recursos essenciais para os processos de selecção de informação, deliberação e acção (Fenton, 2010). Ao mesmo tempo, o modelo tradicional de negócio das notícias encontra-se em crise. A leitura de jornais nacionais está a diminuir em todos os países e esta tendência levou a várias previsões sobre o “fim do jornalismo”.

O ambiente multicanal emergente e a Internet com as suas opções infinitas e fontes directas, combinados com as estratégias de redução de custos adoptadas pelos jornais para enfrentar o binómio “menos leitores/menos publicidade” (Freedman, 2010), atingem o jornalismo cultural com particular severidade.

Os bloguers independentes e os twitters têm um impacto enorme na difusão de eventos culturais, desde um blockbuster de Hollywood a uma peça de teatro local, desafiando o papel tradicional dos jornalistas culturais como primeiros leitores, espectadores, ouvintes e críticos das produções artísticas.

Com a sustentabilidade económica dos media tradicionais sob constante ameaça, o espaço destinado ao jornalismo e crítica culturais é cada vez menor.

Sujeitos a formas contemporâneas de burocratização e à mercantilização promovida pelas novas tecnologias, afectados pela pressão do tempo, pela escassez de recursos e pela mudança nos hábitos e padrões de consumo de informação, os jornalistas culturais são cada vez mais forçados a preencher as necessidades da agenda cultural mainstream.

A crescente orientação editorial de muitas publicações para a promoção e marketing das artes, deixa em perigo algumas das funções anteriores do jornalismo cultural, nomeadamente a crítica, o comentário, o ensaio e a reflexão.

O projecto Cultura na Primeira Página pretende mapear as características, desafios e problemas do jornalismo cultural contemporâneo, contribuindo para uma reflexão sobre os mecanismos de construção da mediatização da cultura na imprensa escrita portuguesa e sobre os impactos no espaço público das recentes tendências de cobertura jornalística dos temas culturais.