Autores estão mais nas imagens do que as suas obras

FOTOGRAFIAS DE AUTORES INDIVIDUAIS DOMINAM MANCHETES

Considerados todos os jornais do estudo (Público, Diário de Notícias, Correio da Manhã, Jornal de Notícias, Expresso e a revista Visão), o referente das fotografias que surgem nas manchetes mostra autores individuais. Em 2000 eram 51 casos, equivalente a 42,5% do total de manchetes com fotografia publicadas nesse ano (120).
Em 2010, esse valor passa para 53,3% num total de 75 manchetes com destaque fotográfico. O número de manchetes com este destaque diminuiu quando comparados estes dois anos.

AUTORES COLECTIVOS NÃO MARCAM AS MANCHETES FOTOGRÁFICAS

O jornalismo cultural relega para um plano marginal os autores colectivos. As fotografias das manchetes apenas os mostram em cerca de 8% dos casos, tanto em 2000 (com 10 fotos e 8,3% do total de fotografias em manchetes) como em 2010 (com 8% e 6 fotografias).

FOTOGRAFIAS DE LUGARES E DE OBRAS TROCAM POSIÇÕES

Nas fotografias das manchetes dos jornais estudados os lugares têm alguma importância no ano 2000, com 23 casos, o equivalente a cerca de 19% das fotos de manchetes desse ano.
Dez anos depois, em 2010, as objectivas desviam-se dos lugares dos acontecimentos culturais, publicando apenas 10 fotos, menos 13 que em 2000, e que significam 13% do total de fotos em manchetes. As fotografias das próprias obras aumentam ligeiramente de valor nas manchetes. Registam mais duas fotografias que os lugares, o que equivale a 16% dessas fotos em manchete.
Em 2010 a ordem das fotos de manchetes é: autores individuais; obras; lugares; autores colectivos e outros. Em 2000 o segundo lugar pertencia aos lugares, trocando a terceira posição com as fotos de obras.

CORREIO DA MANHÃ E JORNAL DE NOTÍCIAS DOMINAM MANCHETES FOTOGRÁFICAS EM 2000

Se em 2000, os jornais populares ainda eram sinónimo de grandes manchetes fotográficas, mesmo na área da cultura, essa realidade transformou-se no decorrer da década.
Em 2000 o Correio da Manhã lidera com 39 manchetes fotográficas, seguido pelo Jornal de Notícias, com 33. Só depois temos o Diário de Notícias, em terceira posição com 23 fotografias na manchete.
Na cauda destes números encontrarmos os jornais que se posicionam como de referência: Público com 19 manchetes, apenas mais uma que as suas chamadas de primeira página fotográficas; o Expresso tem a mesma diferença de uma fotografia a mais na manchete do que nas chamadas de primeira página, com 5 e 4 respectivamente. A revista Visão apenas publica uma foto de assuntos de cultura numa das suas capas deste ano 2000.

PÚBLICO DOMINA MANCHETES FOTOGRÁFICAS EM 2010:
POLÍTICAS DA IMAGEM MUDAM RADICALMENTE

Em 2010,  todo o panorama muda: é agora o jornal Público que destaca a cultura em manchetes fotográficas, tendo também reforçado a presença de fotografias nas remissões para suplementos (o seu maior valor para os destaques fotográficos de 2010, com 131 casos) e nas chamadas de primeira página (com 46 “chamadas fotográficas”).
O Público faz em 2010, 32 manchetes fotográficas que equivalem a 42%. Mas não está sozinho na sua política de imagens em primeira página. O Diário de Notícias segue-lhe as pisadas, com 28 fotografias em manchetes sobre cultura, neste ano. O equivalente a quase 40% do total de manchetes com fotografia.
Os jornais de referência adoptaram indiscutivelmente as imagens como estratégia comunicacional para a área da cultura. A racionalidade imagética triunfa sobre a textual, provando que Vilem Flusser tinha razão!
Já o Correio da Manhã e o Jornal de Notícias reduzem drasticamente as manchetes de cultura, para 4 e 10 casos, respectivamente. Passam agora a ter um peso relativo de 5,3% no caso do Correio da Manhã, e de 13,3% para o Jornal de Notícias. Expresso e Visão continuam relutantes no uso de manchetes fotográficas em temas de cultura.

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