Intelectual

Uma excelente definição da figura do intelectual é dada por João Barrento em O Mundo está cheio de Deuses: “Sempre que a teoria desce das estrelas até à praxis, há lugar para  intelectual”. A expressão pressupõe uma figura marcada por uma certa inactualidade (as suas formas são sempre novas e mutáveis) e, sobretudo, um sujeito interventivo e inserido no mundo da vida.

A moderna tradição crítica consagrou diversos modos de desempenhar este papel, desde o intelectual secular do século XIX francês até ao “intelectual orgânico”, de Gramsci, o ideólogo ao serviço de regimes ou partidos, e pelo “intelectual específico” de Foucault (o especialista), culminando numa pluralização do conceito, em que os intelectuais estão também entre os artistas e os criativos, não necessariamente para dizer, mas também para mostrar, dentro de uma variedade de formas de intervenção artística e performativa.

Recuando na história da filosofia, Sócrates representa essa primeira figura do intelectual moderno. Ele é aquele que consciencializa o que a sociedade ateniense vive, deslocando o centro da atenção e da vigilância humana da natureza para o espaço de cultura na cidade.

A participação dos intelectuais nos jornais, enquanto editores, directores, redactores ou colaboradores, é um dos capítulos fundamentais na história do jornalismo. Desde a imprensa de opinião do século XIX e XX, até à imprensa de massas subsequente, sempre houve homens e mulheres sábios, ensaístas e criadores, a escrever colunas, comentários, críticas ou artigos de opinião, de um modo regular e periódico. Os intelectuais são ainda muitas vezes convocados pelos jornalistas para darem o seu testemunho perante um acontecimento excepcional, ajudando a perceber o sentido das coisas e a dar resposta à pergunta “onde estamos no momento que passa?”.

A redução do espaço que ocupavam nos jornais, com a diminuição dos géneros jornalísticos associados à opinião especializada e à crítica, por razões económicas e de orientação editorial, são um perigoso sintoma da perda do seu prestígio, influência e capital simbólico, em detrimento de outras figuras, como os políticos e os humoristas, que colonizam cada vez mais o espaço do comentário e da reflexão não informativa.

10 Comments

  1. Pingback: wiki links seo

  2. Pingback: places to eat in birmingham al

  3. Pingback: tub chairs store

  4. Pingback: fun88

  5. Pingback: pemandangan

  6. Pingback: Kohlefaser Heizfolie

  7. Pingback: DMPK

  8. Pingback: Bdsm contract

  9. Pingback: Eavestrough Cleaning

  10. Pingback: www.office.com/setup