Metodologia

O projecto combina a análise de conteúdo com entrevistas realizadas a jornalistas culturais, directores, críticos e colaboradores especializados nas várias artes.

Através da análise de conteúdo, inventariamos, categorizamos, quantificamos e articulamos todos os assuntos culturais tratados na primeira página dos jornais e revistas incluídos no estudo – Público, Diário de Notícias, Jornal de Notícias, Correio da Manhã e Expresso e Visão – bem como os respectivos desenvolvimentos nas páginas interiores. O resultado final é um “retrato” genérico das tendências de cobertura jornalística dos temas culturais abordados na primeira página dos principais jornais portugueses.

Pierre Bourdieu descreve o campo jornalístico como sendo melhor compreendido enquanto um microcosmo dentro de um macrocosmo, obedecendo “às suas próprias leis, aos seus próprios nomos” (Bourdieu, 2005). Esta é a razão pela qual complementamos a análise de conteúdo das matérias de primeira página com uma metodologia qualitativa, nomeadamente entrevistas em profundidade com editores e jornalistas culturais, críticos e colaboradores especializados.

Estamos interessados em criar uma história social (Shudson, 1978) do jornalismo cultural, centrada nas mudanças e evolução da cobertura jornalística cultural entre 2000 e 2010.

A combinação da metodologia quantitativa e qualitativa é essencial para responder às questões mais amplas do projecto, nomeadamente:

a) Qual foi o impacto das mudanças nos modelos de jornalismo e crítica culturais?

b) Qual é o papel da crítica cultural numa sociedade onde as ferramentas de produção cultural estão em todo o lado?

c) Será a perda da “crítica cultural” na imprensa um problema, na medida em que poderá afectar a percepção da sociedade e do mundo por parte dos cidadãos?

d) Qual é o impacto sobre os produtores culturais, os artistas e as políticas das instituições culturais?

f) Terá a crítica cultural encontrado um novo espaço no cenário mediático em mudança?