Quem é fotografado nas notícias de cultura?

Os autores individuais são os mais fotografados quando se trata de cultura nos jornais. Em 2000, estiveram presentes nas fotografias de 30% das peças jornalísticas da primeira página. Se apenas considerarmos o universo das imagens fotográficas, essa percentagem ascende a mais de metade: 52% das fotografias representam autores individuais.

E em 2010? Consideradas todas as peças jornalísticas publicadas sobre cultura nas primeiras páginas dos nossos seis jornais, as fotografias com autores individuais representam 42,4% dos casos, em 2010. Um número bem acima dos 30% do ano 2000.

Este número torna-se ainda mais expressivo se considerarmos apenas as 455 fotografias que foram publicadas em 2010 nas primeiras páginas. Neste caso, percebemos que destas fotografias, mais de metade mostravam autores individuais (o número é 59,6% para 271 fotos com autores). Estes números confirmam quer o “reforço” fotográfico em 2010 quer a manutenção do principal critério jornalístico para a fotografia que se consolidou em torno dos autores individuais.

QUEM SÃO ESTES AUTORES?
MÚSICOS SEMPRE NA FRENTE, ESCRITORES NÃO DESARMAM
Do ponto de vista quantitativo as nossas variáveis não nos permitem afirmar quem são os protagonistas das imagens. Apenas aplicámos esta variável aos protagonistas dos textos, que podemos saber com grande grau de precisão. Contudo, podemos identificar quais os protagonistas dos textos jornalísticos que foram ilustrados com fotografias e, neste caso, depreender que possivelmente no caso em que as fotografias mostram autores, a probabilidade é que sejam os que são mencionados no texto.

Com base nesta assunção, podemos dizer que estes autores eram, em 2000, sobretudo os músicos, com 88 peças jornalísticas com fotografias de autores individuais em que são protagonistas. Isto equivale a 32% do total de peças jornalísticas em primeira página, nesse ano. Seguidamente, surgem os escritores. Estes são protagonistas de 53 histórias que usaram fotografias de autores individuais, representando, este caso, 19% do total de peças.

Em 2000, os actores surgem em 3º lugar, como os que mais protagonizaram histórias e (supomos) as suas fotografias. Os actores surgem em 34 peças jornalísticas em primeira página, com as respectivas fotografias, o equivalente a 12% do total de peças em primeira página.

Porém, os cineastas, que subirão em 2010, estão em 5º lugar no ranking de protagonistas, com 15 peças e apenas 5% de visibilidade. Imagine-se que ficaram atrás dos políticos! Em 2000, os políticos surgem como protagonistas de 24 histórias de primeira página com fotografias, 9% do total.

Os restantes protagonistas considerados têm representatividades muito baixas. Alguns exemplos das categorias consideradas: pintor (artista plástico); bailarino; performer; produtor; editor; comissário/curador; personalidade; jornalista; mágico, designer, toureiro; empresário, historiador e amador.

Considerámos ainda algumas entidades colectivas, como associações profissionais, instituições públicas e fundações. Todos com visibilidades fotográficas muito reduzidas.

Os dados de 2010 quanto à actividade dos protagonistas nas peças com fotografias de autores confirmam o protagonismo dos músicos. Estes sobem a sua representatividade para os 35,5 % (estando presentes em 97 peças com fotografias de autor).
Isto significa um crescimento não apenas em números relativos, mas também em números absolutos, o que é de assinalar, uma vez que tivemos em 2010 menos cultura na primeira página. A conclusão é que os músicos individuais (ou representados individualmente, mesmo que pertençam a um grupo) reforçam a sua visibilidade.

Em 2010 os escritores desceram o seu protagonismo e os actores subiram. Ambos ocupam agora o segundo lugar, mas no caso dos escritores verificou-se uma queda de visibilidade, tanto em números absolutos – passaram das 53 peças em 2000, para 45 em 2010 – como em termos relativos: representam agora 16,5% em vez dos 19%. Isto apesar de permanecerem na segunda posição.

Já os actores conseguiram empatar com os escritores e subiram do 3º lugar que ocuparam em 2000 para a segunda posição, com mais 11 peças. Representam agora os mesmos 16,5% do total de peças na primeira página. Ou seja, mesmo num contexto de diminuição de visibilidade pública da cultura, os actores reforçaram a sua presença muito à custa dos escritores.

Na 3ª posição passaram a estar os cineastas, que protagonizaram 35 peças e estão agora nos 12,8%. Também eles subiram consideravelmente neste ranking. Em 2010, os políticos perderam o protagonismo relativo que ainda assim chegaram a ter em 2000: caíram para 3,3% com 9 menções na primeira página. Muito diferente das 24 peças equivalentes a uma visibilidade de 9%.

PARA ALÉM DE AUTORES INDIVIDUAIS, QUAIS OS OUTROS REFERENTES FOTOGRÁFICOS?

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