Primeira página – um panteão de papel para os “mortos” da Cultura

Quando perguntamos quais os acontecimentos mais fotografados em 2010 a resposta é surpreendente: os óbitos surgem numa posição destacada, com 108 fotografias em páginas interiores e que se referem a notícias assinaladas na primeira página. Ultrapassam os festivais, que registaram menos 5 imagens.

O peso relativo das notícias sobre óbitos que se acompanham de destaque fotográfico é de 15,2%, o maior valor para este ano. Os festivais equivalem a 14,5 %. Seguem-se as estreias, com 90 peças com fotografia e 12,7%, e os lançamentos, com 88 peças com destaque fotográfico e um peso de 12,4%.

Todos os outros acontecimentos apresentam valores mais baixos, como os espectáculos, com 57 peças com fotografias e uma expressão relativa de 8%; e as exposições com 5,6% e 40 notícias nas páginas interiores que fazem o desenvolvimento dos destaques na primeira página (só essas peças foram consideradas no nosso estudo das páginas interiores).

A regularidade da fotografia de autores nas primeiras páginas, aquando da sua morte, atravessa todos os jornais, e não pode deixar de ser vista como uma forma de reconhecimento social; uma espécie de panteão de papel.

 

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