Primeira Página

A primeira página sempre foi o espaço mais nobre do jornal e um dispositivo importante para identificar a identidade editorial de cada publicação e compreender as diferenças entre os vários tipos de imprensa.

O seu conteúdo, a composição visual, o uso das imagens e da titulação, são marcas distintivas que permitem diferenciar entre jornais tablóides e jornais de referência.

Os leitores esperam que o desenho e os conteúdos da primeira página reflictam as escolhas editoriais da direcção do jornal relativamente aos acontecimentos mais relevantes do dia e aos seus enquadramentos. Em 1963, Jacques Kayser, jornalista, mas também senhor de uma carreira na área do direito, das letras e da política, publicou o primeiro livro dedicado a construir uma metodologia séria para “medir” a forma como os jornalistas valorizam e apresentam o seu olhar sobre o mundo: Le Quotidien Français fez uma larga escola e durante décadas foi um fiel guia para quem queria medir o espaço e definir as leituras que o jornal atribuía a cada tema e personagem.

O crescimento da área científica das ciências da comunicação e o seu cruzamento com outras disciplinas, como a história, a linguística, a sociologia, a economia, a ciência política e a antropologia, entre outras, aumentaram o número e complexidade das metodologias utilizadas para analisar os conteúdos jornalísticos.

A primeira página continua a ser um lugar privilegiado e a última página a ser construída na produção diária do jornal. Várias pessoas, em regra com poder de decisão e treino profissional, trabalham todos os dias para oferecer a melhor primeira página possível, entre várias opções possíveis.

Por vezes, os acontecimentos são tão unânimes e esmagadores – monstruosos, na expressão do historiador francês Pierre Nora – que esta se preenche inteiramente com um único tema. Mas é apanágio da imprensa de referência apostar em primeiras páginas que reflictam uma selecção equilibrada e atraente de vários assuntos concorrentes pela atenção de um leitor interessado em conhecer o mundo na sua complexidade e diversidade.

 

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