Publicações

Carla Batista

“Jornalismo e Cultura: a cobertura jornalística de temas culturais em Portugal durante os primeiros dez anos do século XXI“, Actas do III Congreso Internacional IBERCOM, Santiago de Compostela.

O jornalismo está em crise, emagreceu as redacções, reduziu o investimento na investigação e nos chamados géneros nobres: a reportagem e a entrevista. Neste cenário, o que aconteceu ao jornalismo cultural? O projecto Cultura na Primeira Página, com financiamento da FCT (Fundação para a Ciência e Tecnologia), desenvolvido no CIMJ (Centro de Investigação Media e Jornalismo, associado da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa), apresenta alguns resultados do estudo das notícias sobre temas culturais publicadas na primeira página de seis publicações portuguesas: Expresso, Visão, Público, Diário de Notícias, Jornal de Notícias e Correio da Manhã, na primeira década do século XXI (2000-2011). Os resultados permitem-nos refletir sobre as consequências que a progressiva erosão do jornalismo cultural provoca na profissão, na cultura e na sociedade.

- Para que precisamos do jornalismo cultural?
- O fim do jornalismo cultural é o fim da cultura?

Para responder, precisamos de percorrer um caminho sinuoso, que consistiu em “tirar a fotografia” ao jornalismo cultural português na imprensa escrita. A partir das notícias publicadas na primeira página, entre 2000 e 2001, utilizando a metodologia SPSS, fomos saber:
- Quem são os protagonistas da cultura e quais foram as grandes histórias que marcaram a atualidade neste campo? Quais são os temas mais destacados pelo jornalismo cultural e quais os mais esquecidos? Que diferenças existem entre os vários jornais no tratamento dos assuntos culturais?

 

“A cobertura jornalística da Cultura na primeira década do século XXI – um estudo sobre a primeira página dos jornais portugueses”, Actas II Congresso Anual de História Contemporânea, Évora (no prelo)

Esta comunicação apresenta resultados do projeto de investigação “A Cultura na Primeira Página – um estudo dos jornais portugueses na primeira década do século XXI (2000-2010)” (PTDC/CCI-COM/122309/2010). Através de dados recolhidos mediante a análise de conteúdo de todas as notícias sobre temas culturais publicadas na primeira página de seis publicações portuguesas ao longo da primeira década do século XXI (2000-2010), nomeadamente Público, Diário de Notícias, Correio da Manhã, Jornal de Notícias, Expresso e Visão, procuraremos traçar as grandes tendências de cobertura jornalística cultural e as transformações registadas neste campo particular do jornalismo.

A análise quantitativa é complementada com entrevistas em profundidade realizadas a jornalistas culturais, artistas e outros agentes culturais, visando apurar as percepções destes atores sobre as mudanças ocorridas na profissão e os recursos canalizados para a cobertura jornalística na área da Cultura.

Os conteúdos jornalísticos são vistos como recursos essenciais para os processos de selecção de informação, deliberação e acção (Fenton, 2010). Ao mesmo tempo, o modelo tradicional de negócio das notícias encontra-se em crise. A leitura de jornais nacionais está a diminuir em todos os países e esta tendência levou a várias previsões sobre o “fim do jornalismo”. O ambiente multicanal emergente e a Internet com as suas opções infinitas e fontes directas, combinados com as estratégias de redução de custos adoptadas pelos jornais para enfrentar o binómio “menos leitores/menos publicidade” (Freedman, 2010), atingem o jornalismo cultural com particular severidade. Os bloguers independents e os twitters têm um impacto enorme na difusão de eventos culturais, desde um blockbuster de Hollywood a uma peça de teatro local, desafiando o papel tradicional dos jornalistas culturais como primeiros leitores, espectadores, ouvintes e críticos das produções artísticas. Com a sustentabilidade económica dos media tradicionais sob constante ameaça, o espaço destinado ao jornalismo e crítica culturais é cada vez menor.

Sujeitos a formas contemporâneas de burocratização e à mercantilização promovida pelas novas tecnologias, aumentado a pressão do tempo e mudando os padrões de consumo das notícias, os jornalistas culturais são obrigados a preencher as necessidades da agenda cultural mainstream. Como as críticas e os comentários culturais desempenham tradicionalmente um papel muito mais extenso do que o de simples promoção e marketing das artes, o jornalismo cultural encontra-se em perigo.

 

Carla Baptista e Teresa Mendes Flores

“A Portrait of Music Stars in the Media: A Study about Portuguese Newspapers”, The Image Journal, 2013, Common Ground Editors.(no prelo)

This article addresses the changes in journalistic cultural coverage, discussing how professional reporting practices and narratives are becoming more intertwined with marketing strategies and event promoter’s goals. Using content analysis to map the evolution of Portuguese cultural journalism during the first decade of the XXI century, and socio semiotic analysis to argue about the visual presentation of three different music stars – the rock band U2, the artist John Lennon and the classical piano player Maria João Pires – we question what ethical and professional dilemmas arise when an impoverished and diminishing cultural coverage is increasingly based on celebrity values and mythical visual representations. 

Keywords: Cultural Journalism; Music; Music stars; Culture; Photojournalism.

 

Celiana Azevedo

 ”O jornalismo cultural e as influências de fatores econômicos em Portugal” submetido à revista Vozes e Diálogo, Junho de 2014 (no prelo)

Esta pesquisa propõe o desenvolvimento de uma análise em um dos principais jornais portugueses: Diário de Notícias. Esse estudo abordou as primeiras páginas do DN nos anos 2000 e 2010 com o objetivo de identificar qual foi o impacto das mudanças no modelo de jornalismo cultural em Portugal durante a primeira década do século XXI e a forma como jornalismo cultural evoluiu nesse período de tempo. Nossa intenção é ajudar a contar a história social do Jornalismo Cultural, levando em consideração as mudanças nos media, na economia e no ambiente social português. Concluímos que a Cultura no DN sofreu grandes modificações, mas esteve presente na primeira página juntamente com outras temáticas de destaque.

Palavras-chave: jornalismo, cultura, crise.

 

“Jornalismo Cultural em Tempo de Crise: O Caso Português”, Actas XIII Congresso Internacional Ibercom http://www.estudosaudiovisuais.org/lusofonia/revision/ActasXIIICongresoIBERCOM.pdf

A informação é uma parte importante para a democracia e a notícias veiculadas pelos media são frequentemente vistas como um contributo vital para formação de opinião, deliberação e ação social . Ao mesmo tempo, o modelo de negócio tradicional relacionado aos meios de comunicação está em crise com a diminuição do número de leitores em grande parte do mundo. Para além disso, a Europa e, mais especificamente, Portugal estão a passar por tempos de dificuldades, confrontados com desafios relacionados com a crise económica.

Este trabalho propõe o desenvolvimento de um estudo em um dos principais jornais portugueses: Diário de Notícias. O objetivo é identificar e analisar as primeiras páginas que contenham temas relacionados à Cultura e verificar como essas informações são tratadas nas páginas interiores do jornal. Assim, pretendemos verificar a forma como os temas culturais evoluíram na primeira década do século XXI no DN, tendo sempre como base nas informações recolhidas nos anos 2000 e 2010.

A escolha desses dois anos, está relacionada com a possibilidade de comparar diferentes contextos em Portugal, entender de que forma os temas culturais foram abordados nesses dois períodos e, assim, criar uma história social do jornalismo cultural, feito através de detalhadas observações. Para analisar as informações, levamos em consideração a hipótese do agendamento, proposta por McCombs e Shaw , mas também questões económicas, pois ambas podem influenciar o processo de seleção dos assuntos que integram a capa de um periódico.

 ”O que mudou no Jornalismo Cultural no Diário de Notícias entre os anos 2000 e 2010?”, Actas II Congresso Anual de História Contemporânea, Évora (no prelo)

Este trabalho pretende o desenvolvimento de um estudo em um dos principais jornais generalistas portugueses: Diário de Notícias. O que propomos é a identificação e análise das primeiras páginas que contenham temas relacionados à Cultura e verificar como essas informações são tratadas nas páginas interiores do jornal. Essa pesquisa empírica abordou dois períodos da primeira década do século XXI: os anos 2000 e 2010. Essa escolha está relacionada com a possibilidade de comparar diferentes momentos e verificar como o jornalismo cultural evoluiu nesse intervalo de tempo e, assim, contribuir para entender e contar a história social (SCHUDSON, 1978) do jornalismo cultural português.

Palavras-chave: Jornalismo, cultura, Diário de Notícias.

“Jornalismo Cultural: a evolução da cultura no Diário de Notícias entre os anos 2000 e 2012″, SOPCOM – Comunicação Global, Cultura e Tecnologia, Lisboa (no prelo)

Como parte do projeto Cultura na Primeira Página, financiado pela FCT, esta pesquisa propõe o desenvolvimento de uma profunda análise em um dos principais jornais portugueses: Diário de Notícias. O objetivo é identificar e analisar nas primeiras páginas que contenham algum tema relacionado com Cultura e verificar como esta informação é tratada nas páginas interiores do jornal. Essa pesquisa empírica analisou a primeira década do século XXI: os anos 2000 e 2010. Para isso, coletamos dados dos arquivos do jornal, para que fosse possível quantificar as primeiras páginas, suplementos especializados, para além dos recursos humanos e materiais investidos na cobertura cultural. A abordagem metodológica foi essencial para responder as seguintes questões, nomeadamente: a) qual foi o impacto das mudanças no modelo de jornalismo cultural em Portugal durante os anos 2000 e 2010? b) de que forma o jornalismo cultural evoluiu levando em consideração as mudanças nos media, na economia e no ambiente social português? Concluímos que mesmo considerando as mudanças mediáticas, económicas e sociais, o que podemos concluir é que a cultura, tanto em 2000 como em 2010, teve espaço neste veículo de comunicação e esteve presente na primeira página juntamente com outras temáticas de destaque.

Palavras chave: jornalismo, cultura, Diário de Notícias.

 

Dora Santos Silva e Carla Baptista

 ”Cultura na Primeira Página – Apocalípticos e Integrados”, Actas do SOPCOM – Comunicação Global, Cultura e Tecnologia, Lisboa (no prelo)

Esta comunicação apresenta resultados do projecto de investigação “A Cultura na Primeira Página – um estudo dos jornais portugueses na primeira década do século XXI (2000-2010)” (PTDC/CCI-COM/122309/2010). Os dados recolhidos através da análise de conteúdo de todas as notícias sobre temas culturais publicadas na primeira página de seis publicações portuguesas, ao longo da primeira década do século XXI (2000-2010), nomeadamente Público, Diário de Notícias, Correio da Manhã, Jornal de Notícias, Expresso e Visão, apontam para uma mudança nas narrativas do jornalismo cultural. Entre outras, destacamos as seguintes: a redução do espaço e da visibilidade da cultura; o fim de muitos suplementos culturais especializados; um maior centramento nas notícias sobre música e cinema em detrimento das restantes artes; o alargamento das antigas editorias de cultura para espaços mais permeáveis a outros conteúdos, como histórias sobre personalidades, tendências de consumo e estilo de vida, viagens e lazer; a transformação dos suplementos dedicados à crítica especializada em roteiros orientadores do gosto e das formas de ocupação do tempo livre. 

A partir desta análise, iremos refletir, de forma “apocalíptica” e “integrada”, sobre os impactos destas alterações na qualidade do espaço público deliberativo e no papel do jornalismo enquanto campo de reforço e exercício de práticas cívicas de participação e #2 escrutínio democrático (Faro: 2009). Procuraremos ainda traçar as distinções principais que continuam a marcar os enquadramentos dominantes da cultura realizados por jornais populares e por jornais de referência, definindo o jornalismo cultural como uma das últimas marcas distintivas da imprensa de qualidade, num contexto marcado pelo esbatimento das fronteiras entre géneros jornalísticos, pela convergência dos meios tecnológicos e por novas formas de recepção e partilha dos conteúdos culturais. Concluímos que a forma como as publicações analisadas tratam os temas de cultura não significa o fim do jornalismo especializado nesta área mas obriga à sua redefinição conceptual, integrando as potencialidades do ambiente digital, a proliferação de meios de comunicação, profissionais ou não, dedicados à cultura e a sua relação com as indústrias culturais e criativas (Hartley: 2005; Hesmondhalgh: 2007; Flew: 2010).

Palavras-chave: jornalismo cultural, cultura, primeira página, imprensa especializada.

 

Dora Santos Silva

 ”A cobertura da cultura nas capas das newsmagazines portuguesas: o caso da revista Visão (2000-2010)”, Actas do III Congreso Internacional IBERCOM, Santiago de Compostela.

A presente comunicação está integrada no projecto de investigação do Centro de Investigação de Media e Jornalismo (Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa), intitulado “A Cultura na Primeira Página”, que visa proceder a um levantamento dos acontecimentos culturais destacados na primeira página dos principais jornais portugueses e de uma newsmagazine – a Visão –, cobrindo a primeira década do século XXI. Paralelamente, está a ser realizado um estudo em profundidade de cada uma das publicações analisadas, com recurso a metodologias qualitativas, tendo em vista caracterizar as transformações ocorridas do ponto de vista da cobertura jornalística da área cultural.

São apresentados, neste contexto, os resultados preliminares do ano 2000 e uma primeira tentativa de comparação com o ano 2010, com o propósito de responder a uma pergunta norteadora da investigação: “Qual é a visão da cultura praticada nas capas da revista Visão?”.

Por outro lado, dada a importância do suplemento cultural Visão 7 para a identidade cultural da revista, é feita uma primeira abordagem desta relação simbiótica.

 

 Maria João Centeno

“As 1as páginas dos jornais portugueses e a cobertura às Capitais Europeias da Cultura, Porto 2001 e Guimarães 2012”, Actas do II Confibercom (no prelo).

Portugal acolheu, nos últimos 13 anos, duas edições do evento Capital Europeia da Cultura, Porto 2001 e Guimarães 2012; o que pretendemos ilustrar nesta comunicação é a cobertura que a imprensa portuguesa (jornais diários Público, Diário de Notícias, Correio da Manhã e Jornal de Notícias, newsmagazine Visão e semanário Expresso) realizou a cada um desses acontecimentos, e que nos permite definir as etapas que marcaram cada um deles, os padrões de atuação, os grandes protagonistas, o tipo de planeamento e as especificidades da programação.

Esta comunicação apresenta os contornos da informação que a imprensa portuguesa veiculou ao longo dos dois anos em que decorreram as últimas edições da Capital Europeia da Cultura em Portugal, nomeadamente o facto de a cobertura jornalística se ter desviado da divulgação da programação dos eventos para a sugestão de roteiros de visita e pouco ou nada questionar o papel que as cidades, ao promover iniciativas deste tipo, têm enquanto lugares de inovação em termos de políticas culturais, de produção e inovação artísticas.

As técnicas da análise de conteúdo realizada às referências de 1ª página e respetivos desenvolvimentos no interior das edições mostram como a imprensa é fundamental à promoção das cidades enquanto destinos culturais/turísticos, com a possível terrível consequência de transformar o jornalista da área da cultura em agente de promoção não tanto cultural mas turística.

Palavras-chave: cobertura jornalística, eventos culturais, destinos turísticos.

 “Newspaper coverage impact on cultural events: Porto 2001 and Guimarães 2012, European Cultural Capitals” in 1st International Symposium On Media Studies, Akdeniz University, Antalya, Turquia, pp 437-442

Portugal hosted in the last twelve years, two editions of the event European Cultural Capital (ECC), Porto 2001 and Guimarães 2012; this paper intends, first, to illustrate the coverage that Portuguese newspapers made regarding each of the events and, on the other hand, to challenge this media construction with the perceptions of the local event managers, two of the communicative dimensions that contributed to its construction. We want to make a confrontation between the ‘voices’ that shaped both events and then reflect on to what extent these cities embrace cultural policy as a route to urban transformation.

The EU Council of Ministers of Culture elects, each year, cities of different EU member states to become European Cultural Capital, “contributing to bring together the Europe’s people” (words of Mélina Mercouri, Greek Minister of Culture who, in 1985, proposed the launch of this initiative) and encouraging the elected urban space to present new cultural paradigms. In the genesis of this model is the cultural decentralization’s vector, a possibility to medium-sized cities of funding public works, restoring heritage and promoting themselves in touristic terms, of giving visibility to cities away from cultural and creative industries’ major distribution centers.

Although there is EU funding, it is the local government that plays a key role both in financing and managing such events. The application itself to the title of European Cultural Capital is the responsibility of local authorities. It is they who determine the event management model and accompany all the implementation steps.

From content analysis to all front page’s references of the editions of four Portuguese daily newspapers (Público, Diário de Notícias, Jornal de Notícias and Correio da Manhã), a weekly newspaper (Expresso) and a weekly newsmagazine (Visão) throughout 2001 and 2012 and from interviews to local policy-makers and cultural managers, it is possible to discuss public and official narratives. From that we are able to define the steps that marked the different moments of each of the events, patterns of action, major players, planning and programming types.

Through newspaper’s analysis, it is intended to examine the role that this traditional medium has in building the event perception and in the symbolic and material existence of each of the cities. Newspapers merely disclose the events’ schedule or instead they question the role that cities promoting such initiatives should have as places of innovation in terms of cultural policies, artistic production and innovation, in urban and environmental regeneration, in economic revitalization, in training and creating new artists and new audiences and in boosting the confidence of local communities.

Newspapers, responsible for social construction of reality, add shaping the impact these cultural events have on the image of these cities, envisaged in local terms, but also in national terms, by stimulating consumption among residents and attracting visitors. This paper’s aim is to confront the newspaper’s role, through news values, with the local government strategy in promoting the cities of Porto and Guimarães as cultural destinations.

Palavras-chave: newspaper coverage, cultural events, cultural destinations.

“O impacto da mediatização nas Capitais Europeias da Cultura, O caso das cidades Porto 2001 e Guimarães 2012″, Actas do XIII Ibercom, disponível em http://www.estudosaudiovisuais.org/lusofonia/?page_id=844

Portugal acolheu, nos últimos 12 anos, duas edições do evento Capital Europeia da Cultura; a presente comunicação pretende ilustrar a cobertura que a imprensa portuguesa realizou a cada uma das edições para podermos refletir em que medida a aposta destas cidades em políticas culturais de impacto contribui para a transformação urbana.

Partindo da análise de conteúdo (Reason and García, 2007) às referências de primeira página de todas as edições dos jornais diários Público, Diário de Notícias, Jornal de Notícias, Correio da Manhã, jornal semanário Expresso e revista semanal Visão nos dois anos em que os eventos ocorreram, procura-se definir as etapas que marcaram os diferentes momentos de cada um dos acontecimentos, os padrões de atuação, os grandes protagonistas, o tipo de planeamento e as especificidades da programação.


Marisa Torres da Silva

 “O jornalismo cultural: estratégias enunciativas e retóricas. Contributos para uma análise discursiva”, Actas do SOPCOM – Comunicação Global, Cultura e Tecnologia, Lisboa (no prelo)

O jornalismo cultural constitui-se como uma área em que os deveres do jornalista e do especialista se confundem (Tubau, 1982; Harries & Wahl-Jorgensen, 2007), caracterizando-se como um espaço de confluência entre repórteres, intelectuais ou mesmo criadores, tornando-se por isso distinto de outras formas convencionais de produção jornalística. Também aqui existe uma maior liberdade em relação à linguagem utilizada, permitindo-se a utilização de recursos mais criativos, estéticos ou coloquiais, dada a ligação afectiva que se estabelece entre o jornalista de cultura e os seus leitores (Golin & Cardoso, 2009: 77).

No entanto, o jornalismo cultural é, antes de mais, jornalismo, não prescindindo de um vínculo com a atualidade e, por outro lado, com as convenções associadas ao estilo de escrita jornalística (Lopez & Freire, 2007: 6-8).  No âmbito de um projeto mais alargado que tem como objectivo efetuar um retrato profundo da cobertura cultural dos principais jornais portugueses durante a primeira década do século XXI, pretende-se neste trabalho analisar as narrativas que compõem o jornalismo cultural, observando as formas discursivas utilizadas pelos jornalistas em peças jornalísticas que se enquadrem dentro do estilo informativo (notícia, reportagem e entrevista), sobre o tema música, em quatro jornais portugueses, durante o ano de 2010.

Este estudo coloca, assim, as seguintes questões: até que ponto é que as regras de escrita jornalística se aplicam ao jornalismo cultural? Será que podemos falar, além de um “jornalês”, de um “culturês”?

Para dar uma resposta a estas interrogações, mobilizamos aqui algumas das categorias utilizadas pela análise crítica do discurso, metodologia de carácter qualitativo que presta uma particular atenção à linguagem enquanto prática discursiva – a escolha de palavras (lexicalização), sobretudo ao nível da predicação (atributos) e da pressuposição; e o tipo de linguagem utilizada, particularmente no que diz respeito aos recursos retóricos.

Palavras-chave: Jornalismo cultural, jornalismo de música, análise de discurso.

“Jornalismo musical: estratégias enunciativas e retóricas. Contributos para uma análise discursiva”. Comunicação Midiática vol 9, nº 1 (no prelo).

O jornalismo cultural consiste numa área muito particular no âmbito do jornalismo em geral, enquanto espaço de confluência entre repórteres, especialistas e intelectuais, tornando-se por isso distinto de outras formas tradicionais de produção jornalística
(BASSO, 2006; GADINI, 2006; HARRIES; WAHL-JORGENSEN, 2007; RIVERA, 2003; TUBAU, 1990). Face à escassez de pesquisas acadêmicas sobre esta temática em Portugal e tomando o jornalismo de música como estudo de caso, pretende-se neste
artigo verificar até que ponto é que as regras de escrita jornalística e as convenções decorrentes da consolidação do jornalismo moderno (CHALABY, 1996) estão presentes em peças de cariz informativo, selecionando como corpus quatro jornais diários
portugueses, durante o ano de 2010, e mobilizando algumas categorias utilizadas pela análise crítica do discurso, metodologia de caráter qualitativo. A análise das peças indica a fluidez de fronteiras do discurso do jornalismo de música (entre a informação, a
interpretação e a crítica) e a relativa distância dos critérios formais da escrita jornalística informativa convencional.

 

Teresa Mendes Flores e Helena Vieira

“A morte de Maria Gabriela Llansol e José Saramago na Imprensa. Entre a celebração e a revelação”, actas do SOPCOM – Comunicação Global, Cultura e Tecnologia, Lisboa (no prelo)

Entre as notícias de cultura, a morte dos escritores é uma das que merece mais destaque de primeira página nos jornais portugueses. Foi o caso de José Saramago (em 2010) e de Maria Gabriela Llansol (em 2008). Analisamos a cobertura e o tratamento jornalístico feito pelos diários Público, Diário de Notícias, Correio da Manhã, Jornal de Notícias, semanário Expresso e revista Visão, procurando compreender quais as estratégias discursivas na consagração de cada um destes autores, no momento da sua morte. Este artigo inscreve-se no projeto “A Cultura na Primeira Página nos jornais portugueses entre 2000 e 2010”, desenvolvido no CIMJ e financiado pela FCT.

Palavras-chave: jornalismo cultural, autor, consagração, cerimonial, crítica.