Suplementos de cultura

Os suplementos de cultura são uma parte importante da história e do presente do jornalismo. Mesmo circunscrevendo ao contexto português, integraram os principais jornais desde o início do século XX.

A partir de 1920, a maioria dos jornais, pelo menos os mais prestigiados, independentemente da sua orientação política, tinham um suplemento dedicado às artes. A literatura sempre foi o campo mais representado e os suplementos literários de muitos jornais eram um espaço privilegiado de colaboração com os escritores de cada geração.

Uma exposição organizada pelo Museu de Imprensa em 2011 pretendeu homenagear 250 anos de imprensa literária em Portugal, evocando em particular a Gazeta Literária, publicada entre 1761-1762 por Bernardo de Lima e considerada a primeira publicação periódica literária editada em Portugal.

Os séculos XVIII e XIX foram pródigos em centenas de revistas e jornais literários e/ou culturais, com destaque para as publicações dirigidas por Almeida Garrett, Alexandre Herculano, Camilo Castelo Branco, Eça de Queirós, Aquilino Ribeiro, Fernando Pessoa, José Régio, Almada Negreiros e David Mourão-Ferreira. Um bom exemplo é o Suplemento Literário Ilustrado do jornal A Batalha, fundado em 1919, onde trabalhou Ferreira de Castro. Publicava-se às segundas-feiras, de modo a permitir o descanso dos tipógrafos aos domingos, já que o jornal era propriedade da Confederação Geral do Trabalho (CGT), anarco-sindicalista.

Durante a década de 60 do século XX, os  suplementos dos jornais diários de Lisboa e Porto saiam quase todos às quintas-feiras e eram de uma grande importância, contando com a colaboração dos melhores jornalistas, críticos e escritores. E vários jornais, como o Diário de Lisboa e o Diário Popular, tinham também um suplemento de artes plásticas, além do suplemento literário.
No final da década de 60, novos projectos jornalísticos, como A
Capital, fundada em 1968, trouxeram a divulgação e a crítica de música para o jornalismo, passando a editar também um suplemento especializado nessa área que respondia às necessidades de informação e ao gosto crescente de uma nova geração de leitores, interessados em estilos musicais que despontavam em Portugal, como o jazz e o pop rock.

O estudo A Cultura na Primeira Página demonstra como a presença dos suplementos é central para a presença e visibilidade dos temas culturais. E, se hoje o panorama da imprensa portuguesa oferece um retrato muito diverso do que se verificou entre as décadas 70 a 80 do século XX, com inúmeras publicações culturais e florescentes suplementos, a existência de um suplemento cultural – como existem no Expresso e no Público – continua a ser uma marca de qualidade editorial e um instrumento de captação e fidelização de leitores.